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O tatame é de todos. Cuida dele.

O tatame é de todos. Cuida dele.

O tatame é de todos. Cuida dele.

Há uma regra não escrita em qualquer boa academia de Jiu-Jitsu que costuma surpreender quem chega de fora: a higiene não é um detalhe secundário, é uma responsabilidade partilhada tão importante como aprender a defender uma finalização. Faz sentido, quando se pensa no que realmente é um treino de Jiu-Jitsu: dezenas de corpos em contacto direto, suor, pele contra pele, durante horas, semana após semana. Sem cuidado coletivo, este seria um ambiente perigoso. Com ele, é um dos desportos mais seguros que existem do ponto de vista sanitário.

Comecemos pela pergunta mais básica: porque se treina descalço? A resposta é simples e prática. Chinelos e sapatilhas trazem do exterior areia, terra, e sobretudo micro-organismos que não têm lugar num tatame onde as pessoas rebolam, deitam a cara e respiram a poucos centímetros da superfície. É por essa mesma razão que a maioria das academias tem uma regra clara: pés descalços não saem do tatame. Ir à casa de banho, ao balcão da receção, ou ao corredor com os pés que estiveram no tapete traz de volta sujidade externa acumulada nesses percursos, exatamente o que se está a tentar evitar. Chinelos próprios, usados só entre o tatame e o balneário, resolvem este problema com um investimento mínimo.

Depois do treino, o corpo carrega suor de várias outras pessoas, não apenas o próprio. Tomar banho assim que possível depois de treinar não é uma questão de preferência pessoal, é uma medida de prevenção real contra infeções cutâneas, que são o problema de saúde mais comum, embora normalmente evitável, no mundo do Jiu-Jitsu. O mesmo raciocínio aplica-se ao kimono e à rashguard: usar a mesma peça sem lavar entre treinos, algo que parece inofensivo quando se está com pressa, cria um ambiente ideal para bactérias e fungos se multiplicarem em tecido que depois volta a tocar noutras pessoas.

Unhas cortadas parecem um detalhe menor, mas não são. Uma unha comprida, mesmo sem intenção, corta pele com facilidade durante um sparring intenso, e um corte aberto no meio de um treino é uma porta de entrada para infeções, tanto para quem se corta como para quem entra em contacto com esse corte depois. Cortar as unhas antes de cada treino devia ser tão automático como apertar o cinto do kimono.

Sobre feridas e cortes já existentes: devem estar sempre cobertos antes de pisar o tatame, sem exceção. Um adesivo simples ou uma ligadura resolve a maioria dos casos, mas a decisão de treinar ou não com uma ferida aberta e sem proteção adequada não devia nunca ser do aluno sozinho. Comunicar ao instrutor é parte da cultura de segurança, não um sinal de fragilidade.

Quando surge uma lesão de pele suspeita, seja uma mancha vermelha, uma bolha estranha ou algo que simplesmente não parece normal, a resposta correta é sempre a mesma: não treinar até ter a certeza, e idealmente confirmar com um médico. Infeções como tinha, impétigo ou herpes gladiatorum espalham-se com facilidade preocupante num ambiente de contacto direto, e o que parece precaução excessiva de um praticante é, na prática, o que protege toda a turma. Boas academias não julgam quem falta uma semana por esta razão, incentivam.

Isto leva também à questão de treinar com certas infeções ativas, mesmo que pareçam leves. Uma infeção de pele contagiosa não desaparece porque se está a usar manga comprida para a esconder, e treinar nessas condições coloca colegas de treino em risco real de contágio, muitas vezes sem eles saberem. A regra geral, defendida pela maioria dos médicos desportivos ligados a este meio, é simples: se há dúvida sobre se algo é contagioso, a resposta correta é não treinar até se ter a certeza.

Do lado da academia, a responsabilidade é igualmente séria. Um tatame bem gerido é limpo e desinfetado diariamente, normalmente no final do último treino do dia, com produtos apropriados para eliminar bactérias e fungos que sobrevivem em superfícies de espuma. Academias que negligenciam esta rotina, mesmo que tenham excelentes instrutores tecnicamente, estão a falhar numa das responsabilidades mais básicas que têm para com os alunos.

No fim, a higiene no Jiu-Jitsu não é responsabilidade de uma só pessoa. É um sistema que funciona na nossa academia Saitama porque limpamos o espaço, os professores mantêm o padrão, e os alunos cuidam do próprio corpo e comunicam quando algo não está bem. Quando esse sistema funciona, o tatame deixa de ser um risco e passa a ser exatamente o que devia ser: um espaço seguro para aprender através do contacto.

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