
Uma das barreiras silenciosas que afasta gente do Jiu-Jitsu é a sensação de que é preciso comprar um monte de equipamentos antes de pisar o tatame pela primeira vez. Não é. A lista do que realmente importa é curta, e a maior parte pode esperar até se ter a certeza de que se vai continuar.
Para começar, aqui na Saitama emprestamos um kimono ou aceitamos roupa desportiva simples nas primeiras aulas, para quem ainda não sabe se vai gostar. O único item verdadeiramente não negociável desde o primeiro dia é o protetor bocal. Isto não é opcional nem exagero de precaução: cabeças e cotovelos cruzam-se com dentes com mais frequência do que se imagina, mesmo em treino cuidadoso, e um protetor bocal simples evita lesões que de outra forma seriam permanentes. Vale a pena investir num modelo termomoldável, dos que se aquecem em água quente e se ajustam à boca, em vez dos genéricos de plástico rígido que a maioria acaba por deixar de usar por desconforto.
Depois do bocal, o kimono é o investimento seguinte, assim que houver intenção de continuar a médio prazo. Um kimono de entrada não precisa de ser o mais caro da loja, mas vale a pena escolher um de tecido resistente, porque vai ser puxado, torcido e testado constantemente. Marcas mais económicas costumam durar bem no início, e só faz sentido subir de gama quando já se sabe o que se procura em termos de corte e peso do tecido.
Para quem também vai treinar No-Gi, uma rashguard e uns calções apropriados, sem bolsos nem fechos que possam magoar o parceiro, completam o essencial. A rashguard não é só uma questão de estilo, cobre a pele e reduz o risco de infeções cutâneas transmitidas por contacto direto no tatame, um ponto que vale a pena levar a sério desde cedo.
Depois do essencial, entra-se na categoria do que ajuda mas não é obrigatório. Tape para os dedos previne lesões em quem já sente alguma instabilidade nas articulações das mãos, comum entre praticantes com mais anos de pegas de kimono. Joelheiras finas ajudam quem sente desconforto ao apoiar o peso do corpo no chão repetidamente, o que acontece com frequência neste desporto. Chinelos próprios para usar entre o balneário e o tatame evitam contacto direto dos pés descalços com superfícies partilhadas, um pequeno detalhe de higiene que faz diferença a longo prazo.
Sobre o pós-treino, um saco separado para o kimono e a rashguard suados, à parte do resto do equipamento, evita que o cheiro e a humidade se espalhem pela mochila toda. E claro, uma toalha pequena para o treino em si, sobretudo em aulas mais intensas ou em climas mais quentes, ajuda a manter as mãos secas o suficiente para pegas eficazes.
No fim, o equipamento essencial para começar cabe numa lista curta: protetor bocal, roupa confortável ou emprestada, e disposição para aprender. Tudo o resto pode esperar até se perceber, com alguns meses de treino, do que realmente se precisa e do que é só marketing bem feito.