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Porque é que não estás a evoluir?

Porque é que não estás a evoluir?

Porque é que não estás a evoluir?

Há um momento na vida de quase todo o praticante de Jiu-Jitsu em que o progresso parece parar. Vinhas de uma curva ascendente animadora, cada semana trazia uma posição nova, uma finalização nova, e de repente estagnas. Continuas a ir aos treinos, continuas a suar, mas os colegas que entraram depois de ti começam a passar-te a guarda com uma facilidade que nunca tiveram antes. A pergunta que se segue é sempre a mesma: porque é que não estou a evoluir?

A resposta mais honesta, depois de anos a observar este padrão, é que raramente é falta de treino. É falta de interiorização. Há uma diferença enorme entre ver uma técnica e possuí-la. A maioria dos praticantes acumula informação como quem acumula roupa no armário: cada aula traz mais uma peça, mais uma variante, mais um detalhe, até o armário estar tão cheio que já não se sabe o que lá está nem como combinar nada. O corpo não teve tempo de digerir o que a cabeça já arquivou. Sabes a técnica no sentido de a conseguires explicar. Não a sabes no sentido de a conseguires executar sob pressão, contra alguém que está a tentar ativamente impedir-te.


"A maioria dos praticantes acumula informação como quem acumula roupa no armário: cada aula traz mais uma peça, mais uma variante, mais um detalhe"



Interiorizar leva repetição, sim, mas leva sobretudo repetição com intenção. Não é fazer o movimento cem vezes de forma automática. É fazer o movimento cem vezes a perceber porque falha nas primeiras trinta, o que muda nas seguintes quarenta, e o que finalmente resulta nas últimas trinta. A maioria das pessoas treina para acumular técnicas novas em vez de dominar as que já tem. É mais estimulante aprender algo novo do que repetir algo antigo, mas é a repetição, não a novidade, que constrói o jogo que realmente funciona quando estás cansado, nervoso, ou contra alguém mais forte.

Isto leva a outro ponto que trava muita gente: a falta de rumo. Jiu-Jitsu tem, provavelmente, mais posições e variantes do que qualquer outra arte marcial. É fácil, sobretudo nos primeiros anos, tentar aprender tudo ao mesmo tempo. O resultado é um jogo disperso, sem identidade, onde sabes um bocadinho de tudo e não dominas nada em particular. Os praticantes que evoluem de forma mais consistente costumam ser os que, a certa altura, escolhem um rumo. Decidem que vão ser bons a passar guarda antes de tentarem ser bons em tudo. Escolhem duas ou três finalizações e trabalham-nas até à exaustão, em vez de colecionarem vinte que nunca dominam completamente.

Aqui vale a pena olhar para o alto nível. Muitos dos melhores atletas do mundo não vencem com um arsenal de cinquenta finalizações. Vencem com três ou quatro, aperfeiçoadas ao ponto de se tornarem quase inevitáveis, entradas em cascata onde uma ameaça abre caminho para a seguinte. Quando se analisam as finalizações que realmente acontecem em competição de alto nível, a lista é sempre mais curta do que se esperaria. Especialização, não amplitude, é o que separa quem finaliza com regularidade de quem só sabe falar sobre finalizações.

Há ainda um fator que poucos praticantes param para questionar: nem todas as técnicas servem para todos os corpos. Um praticante alto e magro vai ter mais sucesso com certas guardas do que um praticante baixo e compacto. Alguém com mais força na parte superior do corpo pode preferir um jogo de pressão; alguém mais flexível pode preferir um jogo de guarda aberta. Copiar cegamente o jogo do instrutor ou do campeão preferido, sem adaptar à própria estrutura física, é uma forma garantida de travar a evolução. O teu jogo deve parecer-se contigo, não com outra pessoa.

E por fim, uma verdade desconfortável: o método de aprendizagem não depende só do professor. Um bom professor consegue mostrar o caminho, corrigir detalhes, abrir portas que sozinho demorarias anos a encontrar. Mas a interiorização acontece fora da aula, na forma como reflectes sobre o que aconteceu num rola, como identificas os teus próprios padrões de erro, como procuras entender porque uma posição continua a falhar mesmo depois de a teres visto explicada dez vezes. Quem espera que a evolução aconteça apenas porque está presente na aula, sem esse trabalho interno, vai sempre sentir que estagnou, mesmo estando fisicamente presente semana após semana.

Evoluir no Jiu-Jitsu não é uma questão de treinar mais horas. É uma questão de treinar com mais intenção, escolher um rumo, e aceitar que o corpo demora mais tempo a aprender do que a cabeça demora a compreender. E aqui na Saitama, vamos acompanhar sempre o processo.

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