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Competição: não é obrigatório, mas muda tudo

Competição: não é obrigatório, mas muda tudo

Competição: não é obrigatório, mas muda tudo

Uma das perguntas mais frequentes de quem começa Jiu-Jitsu, normalmente depois dos primeiros meses de treino regular, é se vai ter de competir em algum momento. A resposta curta é não. Nunca foi, e continua a não ser, obrigatório competir para se ser um praticante legítimo de Jiu-Jitsu. Há faixas pretas com décadas de tatame que nunca pisaram um tapete de competição e não são, por isso, praticantes menores. Competir é uma escolha, não um requisito de progressão.

Dito isto, vale a pena entender o que a competição realmente oferece a quem decide experimentar, porque a resposta não é apenas "medalhas". O maior valor de competir costuma ser a honestidade brutal que proporciona. No treino diário, é fácil convencer-se de que se está mais preparado do que realmente se está, sobretudo quando se treina sempre com os mesmos parceiros, com o mesmo ritmo, no mesmo ambiente confortável. Um torneio remove todas essas variáveis familiares. De repente, é contra alguém desconhecido, com um estilo desconhecido, numa situação de pressão real, sem a rede de segurança do ambiente habitual. O que resulta desse confronto costuma ser mais revelador do que meses de treino regular.

A altura certa para competir não tem uma resposta universal, mas há um princípio útil: não é sobre estar "pronto" no sentido de dominar tudo, porque ninguém alguma vez se sente assim. É sobre já ter uma base defensiva sólida o suficiente para não passar o torneio inteiro apenas a sobreviver, sem conseguir implementar nada do que foi treinado. Para a maioria dos praticantes, isto significa já ter passado a fase mais crua de principiante, embora o momento exato varie imenso de pessoa para pessoa, e a decisão deve, idealmente, ser tomada em conjunto com o instrutor, que consegue avaliar isto de fora com mais clareza do que o próprio aluno.


"Não é sobre estar pronto no sentido de dominar tudo"



Como funciona um torneio típico, para quem nunca assistiu nem participou, costuma seguir uma lógica simples: praticantes são divididos por faixa, peso e por vezes idade, e competem em eliminatórias dentro da própria categoria. Cada combate tem tempo limitado, e a pontuação atribui valor a posições dominantes conquistadas ao longo do combate, como passar a guarda ou conseguir montar, além da vitória imediata por finalização, que termina o combate ali mesmo, independentemente do tempo restante ou da pontuação acumulada.

Os nervos antes de competir são quase universais, mesmo entre atletas de alto nível com anos de experiência competitiva. A ansiedade antes de um combate não desaparece com a experiência, o que muda é a relação que se tem com ela. Praticantes mais experientes não deixam de sentir nervos, aprendem a competir apesar deles, sabendo que aquela tensão é normal e, até certo ponto, útil para manter o nível de alerta necessário.

Sobre perder, que é matematicamente o resultado mais provável para a maioria dos competidores na maioria dos torneios, vale a pena desmistificar o peso emocional que se costuma atribuir a essa palavra. Perder um combate de competição não é um julgamento sobre o valor de alguém como praticante. É informação. Mostra exatamente onde estão as lacunas, algo que meses de treino confortável dificilmente revelariam com a mesma clareza. Muitos dos praticantes mais sólidos hoje em dia descrevem as primeiras derrotas em competição como alguns dos momentos mais formativos de todo o percurso, precisamente porque forçaram uma reavaliação honesta do próprio jogo.

A diferença entre uma aula normal e um torneio, no fim, não é de técnica, é de contexto. As mesmas posições, as mesmas finalizações, os mesmos princípios aprendidos ao longo de meses ou anos são postos à prova sob pressão de tempo, contra alguém desconhecido, com o resultado a contar de forma definitiva. É essa pressão, mais do que qualquer técnica nova, que a competição realmente ensina.

No fim, a decisão de competir devia ser pessoal e livre de qualquer pressão externa, seja do instrutor, dos colegas de treino ou de expectativas próprias mal calibradas. Uns encontram na competição um propósito e uma motivação extra para o treino diário. Outros preferem o Jiu-Jitsu apenas como prática pessoal, sem qualquer interesse em provar seja o que for num tapete de torneio. Ambos os caminhos são igualmente válidos dentro deste desporto.

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